Marcar
Diário · 24 de julho de 2026

Quase tudo o que corre mal na pele começa na barreira

Sensibilidade, vermelhidão, repuxar, borbulhas que aparecem do nada. Muita vez a causa é a mesma, e é uma rotina que agride mais do que cuida.

Manobra de lifting manual sobre o rosto

Quando alguém se senta aqui e me diz que tem a pele sensível, a primeira coisa que pergunto não é o que usa, é o que anda a usar há quanto tempo. Na maior parte dos casos a pele não nasceu sensível, ficou sensível.

A camada mais superficial da pele funciona como uma parede. Tem as células dispostas como tijolos e entre elas há uma mistura de gorduras que faz de argamassa. Essa parede tem duas funções: não deixar sair a água que a pele tem lá dentro e não deixar entrar o que não deve entrar. Por cima dela vive uma população de bactérias que não são inimigas nenhumas, pelo contrário, ajudam a manter o ambiente da pele estável. É a isso que se chama microbioma.

Quando essa parede se estraga, tudo o resto começa a falhar ao mesmo tempo. A água evapora e a pele fica desidratada mesmo quando é oleosa. As substâncias irritantes entram com mais facilidade e a pele reage a coisas a que antes não reagia. E como o ambiente muda, o microbioma desequilibra-se e há bactérias que passam a crescer mais do que deviam. Daí vem a vermelhidão, o ardor, o repuxar depois da limpeza e, muitas vezes, borbulhas que aparecem sem explicação aparente.

O que costuma estragar a parede

Quase nunca é uma coisa só. É a soma.

  • Lavar com produtos que fazem muita espuma e deixam a pele a chiar
  • Esfoliar duas ou três vezes por semana porque a pele estava com má cara
  • Ácidos todas as noites, muitas vezes mais do que um ao mesmo tempo
  • Trocar de rotina de duas em duas semanas atrás do que aparece nas redes
  • Água muito quente, sobretudo no inverno
  • E depois, quando a pele reage, mais produto ainda para tentar corrigir

Há também o que não está no frasco: dormir pouco, andar em stress prolongado, o frio e o vento, e nas mulheres as oscilações hormonais ao longo do ciclo e nas fases de transição. Isso não se corrige com cosmética e vale a pena saber, porque poupa muita frustração.

Reparar é mais devagar do que estragar

A boa notícia é que a barreira repara-se. A má é que demora mais tempo a reparar do que demorou a estragar, e o instinto quando a pele está má é fazer mais coisas, quando o que ela precisa é que se façam menos.

O caminho é quase sempre o mesmo. Tira-se tudo o que agride, fica-se com uma limpeza suave, um hidratante com o que faz falta à argamassa e proteção solar. Nada de ácidos, nada de esfoliação, nada de novidades. Espera-se três ou quatro semanas, que é o tempo que a pele leva a renovar-se, e só depois se volta a introduzir uma coisa de cada vez, com intervalo entre elas, para se perceber o que é que ela tolera.

Em cabine o trabalho é o mesmo em espírito: acalmar primeiro, reforçar depois, e só no fim pensar em resultados estéticos. Uma pele com a barreira em baixo não responde bem a nada, por muito bom que seja o que se lhe ponha em cima. É por isso que há sessões em que faço muito menos do que a pessoa esperava, e é isso que faz a diferença nas semanas seguintes.

← Todos os artigos

Marcamos?

Diz-me o que te traz cá e vemos o dia.

Marcar pelo WhatsApp