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Diário · 16 de julho de 2026

O gua sha não faz o que a internet diz que faz

A pedra não emagrece a cara nem levanta nada por magia. O que ela faz é outra coisa, e é mais interessante do que a promessa.

Ferramentas de gua sha e cartões do estúdio

Quase toda a gente que chega aqui já ouviu falar de gua sha, e quase toda a gente ouviu a versão errada. Nos vídeos aparece sempre a mesma coisa: alguém a esfregar uma pedra na cara com força durante trinta segundos e a mostrar o antes e o depois com luz diferente nas duas fotografias. Depois compra-se a pedra, faz-se aquilo em casa durante uma semana, não acontece nada de especial e a pedra vai para a gaveta.

O gua sha vem da medicina tradicional chinesa e no rosto trabalha sobretudo duas coisas. A primeira é o sistema linfático, que é o que trata de escoar o líquido que se acumula nos tecidos. Quando dormes mal, quando comes com muito sal, quando estás numa fase de stress, esse líquido fica retido e é uma das razões pelas quais acordas com a cara pesada. Movimentos lentos e na direção certa ajudam a encaminhá-lo. A segunda é a tensão muscular. A cara tem músculos que trabalham o dia inteiro sem ninguém dar por isso, sobretudo no maxilar, nas têmporas e à volta dos olhos, e essa tensão vai marcando a expressão em repouso.

Porque é que a força não ajuda

O erro mais comum é fazer aquilo com força. A ideia de que quanto mais carregas, mais resultado tens, não se aplica aqui. Pressão a mais irrita a pele, pode deixar marcas e, no caso das peles mais reativas, acorda exatamente aquilo que se queria acalmar. O trabalho é lento e a pressão é ligeira, quase como se estivesses a alisar uma folha de papel sem a vincar.

A pele também tem de estar sempre deslizante. Gua sha em pele seca arrasta em vez de deslizar, e o arrastar é o que magoa. Por isso é que se trabalha sempre com óleo ou com um sérum com corpo suficiente para a pedra correr.

O que muda mesmo

Numa sessão nota-se quase sempre a mesma coisa: a cara fica menos pesada, o contorno fica mais definido e a pele fica com outra cor, porque houve circulação. Isso é real e vê-se ao espelho. O que não é real é a ideia de que a pedra reconstrói alguma coisa em profundidade ou que substitui o que a idade faz. Não substitui.

O efeito interessante do gua sha não está numa sessão, está na repetição. Uma cara que é trabalhada com regularidade guarda menos tensão acumulada, e isso muda o aspeto em repouso, que é como as pessoas te veem quando não estás a pensar nisso. É por isso que gosto de ensinar o gesto em vez de o guardar só para a cabine.

Se quiseres começar em casa

  • Faz sempre com a pele limpa e com óleo, nunca a seco
  • Do centro da cara para fora e de baixo para cima, sempre na mesma direção e sem voltar atrás no mesmo movimento
  • Três a cinco passagens em cada zona chegam, mais do que isso não acrescenta
  • Se a pele ficar vermelha e demorar a acalmar, estavas a carregar de mais
  • Cinco minutos, três vezes por semana, valem mais do que meia hora de vez em quando

E se tiveres rosácea, acne inflamatória ou uma dermatite em fase ativa, fala comigo antes de começares. Nesses casos há zonas que se evitam e há alturas em que é melhor não fazer de todo.

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