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Diário · 6 de agosto de 2026

Porque é que aqui se trabalha com as mãos

Os aparelhos fazem coisas que as mãos não fazem, mas há uma que só as mãos fazem, e é nela que está metade do trabalho.

Ritual facial ao ar livre

De vez em quando alguém me pergunta porque é que não tenho isto ou aquilo, uma máquina de radiofrequência, um aparelho de ultrassons, o que estiver na moda nesse ano. A pergunta é justa e a resposta não é ideológica. Há aparelhos que fazem coisas que as mãos não fazem, e há sítios onde isso faz todo o sentido. Só que não é isso que eu faço aqui.

A diferença está numa palavra que parece pouco técnica mas é a mais técnica de todas: leitura.

Quando te ponho as mãos na cara, a primeira coisa que acontece não é trabalho, é informação. Sinto onde a pele desliza e onde prende, onde o tecido está mole e onde está preso ao osso, de que lado é que o maxilar está mais fechado, se a testa está a trabalhar mesmo em repouso, se há uma zona quente e outra fria. Isso não se vê ao espelho e não se vê numa fotografia. Sente-se, e sente-se com a mão de quem já sentiu muitas caras.

A partir daí o que faço a seguir muda. Duas pessoas com a mesma idade e a mesma queixa podem sair daqui com sessões completamente diferentes, porque o que estava preso não estava no mesmo sítio. Um aparelho aplica um programa. A mão aplica o que encontrou.

O que as mãos fazem bem

  • Encontram tensão que a pessoa nem sabia que tinha, sobretudo no maxilar e nas têmporas
  • Ajustam a pressão a cada centímetro, e há zonas da cara onde a diferença entre suficiente e demais é mínima
  • Trabalham por dentro da boca, que é onde está a tensão que mais se vê por fora e onde nenhum aparelho entra
  • Param quando é preciso parar, o que numa pele reativa faz toda a diferença
  • E há uma parte que não sei medir mas que é real: um toque continuado acalma o sistema nervoso, e uma cara com o sistema nervoso acalmado tem outro aspeto quando se levanta

O que as mãos não fazem

Também é justo dizer isto. Trabalho manual não substitui um tratamento médico, não trata uma patologia de pele e não faz o que faz um procedimento estético feito por um médico. Quando o que a pessoa procura é isso, digo-o e encaminho. Não ganho nada em prometer o que não posso entregar, e perco muito.

O tempo faz parte

Há ainda uma coisa que costuma passar despercebida. Uma sessão manual demora o tempo que demora porque o efeito depende da lentidão. Não há forma de fazer em vinte minutos o que precisa de uma hora, e um trabalho manual apressado dá menos resultado do que aparelho nenhum.

É por isso que aqui só recebo uma pessoa de cada vez e não tenho três marquesas a andar ao mesmo tempo. Não é uma questão de estilo, é o que o método precisa para funcionar.

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