Porque é que aqui se trabalha com as mãos
Os aparelhos fazem coisas que as mãos não fazem, mas há uma que só as mãos fazem, e é nela que está metade do trabalho.

De vez em quando alguém me pergunta porque é que não tenho isto ou aquilo, uma máquina de radiofrequência, um aparelho de ultrassons, o que estiver na moda nesse ano. A pergunta é justa e a resposta não é ideológica. Há aparelhos que fazem coisas que as mãos não fazem, e há sítios onde isso faz todo o sentido. Só que não é isso que eu faço aqui.
A diferença está numa palavra que parece pouco técnica mas é a mais técnica de todas: leitura.
Quando te ponho as mãos na cara, a primeira coisa que acontece não é trabalho, é informação. Sinto onde a pele desliza e onde prende, onde o tecido está mole e onde está preso ao osso, de que lado é que o maxilar está mais fechado, se a testa está a trabalhar mesmo em repouso, se há uma zona quente e outra fria. Isso não se vê ao espelho e não se vê numa fotografia. Sente-se, e sente-se com a mão de quem já sentiu muitas caras.
A partir daí o que faço a seguir muda. Duas pessoas com a mesma idade e a mesma queixa podem sair daqui com sessões completamente diferentes, porque o que estava preso não estava no mesmo sítio. Um aparelho aplica um programa. A mão aplica o que encontrou.
O que as mãos fazem bem
- Encontram tensão que a pessoa nem sabia que tinha, sobretudo no maxilar e nas têmporas
- Ajustam a pressão a cada centímetro, e há zonas da cara onde a diferença entre suficiente e demais é mínima
- Trabalham por dentro da boca, que é onde está a tensão que mais se vê por fora e onde nenhum aparelho entra
- Param quando é preciso parar, o que numa pele reativa faz toda a diferença
- E há uma parte que não sei medir mas que é real: um toque continuado acalma o sistema nervoso, e uma cara com o sistema nervoso acalmado tem outro aspeto quando se levanta
O que as mãos não fazem
Também é justo dizer isto. Trabalho manual não substitui um tratamento médico, não trata uma patologia de pele e não faz o que faz um procedimento estético feito por um médico. Quando o que a pessoa procura é isso, digo-o e encaminho. Não ganho nada em prometer o que não posso entregar, e perco muito.
O tempo faz parte
Há ainda uma coisa que costuma passar despercebida. Uma sessão manual demora o tempo que demora porque o efeito depende da lentidão. Não há forma de fazer em vinte minutos o que precisa de uma hora, e um trabalho manual apressado dá menos resultado do que aparelho nenhum.
É por isso que aqui só recebo uma pessoa de cada vez e não tenho três marquesas a andar ao mesmo tempo. Não é uma questão de estilo, é o que o método precisa para funcionar.
← Todos os artigos