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Diário · 31 de julho de 2026

A pele muda com a estação e a rotina devia mudar com ela

Aqui à beira-mar isso nota-se mais. O que serve em agosto costuma ficar curto em janeiro, e ao contrário também.

O mar da Praia da Vieira ao fim da tarde

Uma das perguntas que mais me fazem é quantas vezes por ano é que se deve mudar de rotina. A resposta honesta é que não se muda por calendário, muda-se quando a pele avisa. Só que ela avisa quase sempre nas mesmas alturas do ano, e é por isso que parece calendário.

Quem vive junto ao mar sabe do que estou a falar. Aqui não é só a temperatura que muda, é o vento, o sal e a humidade, e essas três coisas trabalham diretamente na camada mais superficial da pele. Um dia de nortada faz à pele o que faz ao cabelo, e nota-se logo no dia seguinte.

O verão

No verão a pele produz mais sebo e transpira mais, e é fácil confundir o brilho com oleosidade a mais. Muita gente responde a isso lavando mais vezes e usando produtos mais secantes, e o resultado passadas três semanas é uma pele desidratada que continua a brilhar. O brilho não desapareceu, apareceu por outra razão.

O que costuma fazer falta no verão é o contrário do que se pensa: texturas mais leves mas não menos hidratação, e proteção solar a sério, reaplicada, não só a de manhã. E depois da praia, uma limpeza suave para tirar o sal e o protetor, porque o sal continua a puxar água da pele muito depois de sair da água.

O outono

O outono é a altura em que aparece mais gente no estúdio, e há uma razão. O verão deixa marca: mais manchas, textura irregular, uma pele que se habituou ao sol e agora está a pagar a fatura. É a estação certa para trabalhar renovação e uniformidade, precisamente porque o sol já está mais fraco e a pele aguenta melhor esse tipo de trabalho.

O inverno

No inverno o problema deixa de ser o sol e passa a ser a água que a pele perde. Ar frio lá fora, aquecimento cá dentro, banhos mais quentes e mais demorados. A parede da pele fica mais permeável e quem já tinha tendência para reagir passa a reagir mais. As peles com rosácea ou com dermatite são as primeiras a dar sinal.

Aqui o que muda é a textura do que se usa, que passa a ser mais rica, e a temperatura da água, que devia baixar. E convém resistir à tentação de esfoliar para tirar a pele áspera, porque a aspereza no inverno costuma ser falta de água e não excesso de células mortas.

A primavera

A primavera é a estação em que a pele está mais estável e é a melhor altura para introduzir coisas novas, se houver alguma coisa a introduzir. Também é quando volta a fazer sentido pensar em proteção solar todos os dias, se durante o inverno se deixou de lado.

O que fica igual o ano inteiro

Poucas coisas, mas essas não se negoceiam: limpar sem agredir, hidratar de acordo com o que a pele pede naquele mês e proteger do sol. O resto ajusta-se. E se a pele estiver a passar por uma fase de reatividade, seja em que estação for, a regra é sempre a mesma: menos coisas, e dar-lhe tempo.

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